Haven Denied
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BIOGRAFIA

  Corria o ano de 1999 quando surgiu o projecto Haven Denied, pela mão de Ricardo Cotrim (teclado), Ricardo Caldas (bateria), Miguel Loureiro (baixo), Jorge Vilela (guitarra/voz).

 As afinidades entre os fundadores permitiram que se estabelecesse uma primeira linha de rumo para a recém-formada banda: a comunicação de um ideal através da música. Ao longo de três anos de busca de uma identificação e de uma unidade conceptual para o grupo surgiram as primeiras composições, os primeiros concertos, num percurso de maturação.

 Chegados à finalização da implementação do projecto com uma linha identitária definida, ocorreu o primeiro revés, com a saída do baixista. A ruptura originou uma redefinição dos métodos de trabalho. Entretanto, a necessidade de encontrar uma nova voz foi consensual entre os restantes membros. Acaba por acontecer no final de 2001, com a entrada de Luís Cerqueira. Já em 2002, juntou-se ao projecto um novo baixista, Marcos Rangel. A banda atingiu um patamar de estabilidade.

 A sedimentação do grupo exigiu a procura de um espaço próprio que se concretizou através da construção de um estúdio. Todavia, a história de Haven Denied acaba por voltar à experiência de ver a saída de mais um dos seus elementos, mais uma vez o baixista. Episódio que se repete com guitarrista Jorge Vilela, pouco depois. Em 2003, a vaga foi preenchida por Henrique Pinto. No ano seguinte, Jimmy ocupa o lugar de baixista.

 A partir desta data deu-se início a este longo percurso, que consistiu em criar um produto suficientemente consistente e coerente, capaz de catapultar a banda para um lugar ainda mais alto. Para isso, e como 1º passo, fez-se uma síntese dos 4 anos anteriores, que consistiu em deixar de lado algumas coisas e reforçar algumas outras, no fundo marcar um caminho. Depois desse primeiro passo veio o 2º, mais demorado, que foi seguir esse mesmo caminho, ou seja ter a capacidade de focalização necessária para nunca se desviarem do mesmo, mesmo quando este parecia interminável.

 Com a formação completa, a banda começou a pensar dedicar-se à edição de um álbum. No entanto, surgiu um primeiro percalço neste novo percurso recém iniciado. Mais uma vez, a saída de um elemento – Jimmy – força um hiato, tornando ainda mais urgente a procura de um novo baixista.

 A entrada do novo elemento, Simão Vilaverde, ocorreu em 2005. E foi precisamente nessa altura que a vida da banda entrou numa nova fase. A gravação do primeiro álbum começou a tomar forma. Durante a gravação e produção do álbum sentiu-se a necessidade de integrar uma voz feminina – Catarina Caldas. Os dois primeiros singles, Misery e Therina, foram lançados na Internet em meados de 2006.

 Marcado para Setembro de 2006, o 1º álbum dos Haven Denied acaba por ser a compilação perfeita dos sete anos de trabalho da banda. Para atingir um produto final consistente e coerente foram necessários dois anos de composição/produção, no estúdio da banda, que contou com a participação de diversos elementos convidados.

 Com o passar do tempo, a banda foi-se afirmando num estilo mais minimal e saudosista, procurando o jogo rítmico e exploração técnica e tímbrica dos instrumentos base, que constituem a normal textura sonora do género musical Rock, vertente Metal. Esta evolução, pensamos nós, traduz, por um lado, uma maior maturidade musical e por outro, a consequente afirmação de carácter artístico.

 Depois da partida do teclista, a banda direccionou-se para um som mais thrash e produziu um outro álbum em 2009, chamado Symbiosys. Este álbum trouxe mais concertos e maior tempo de passagem em rádio.

 A busca da essência de qualquer coisa observável pressupõe um maior domínio e conhecimento da linguagem utilizada, o que por sua vez subentende a expansão do contexto implícito do discurso utilizado. O que de repente pode parecer-nos uma simplificação é na verdade um reflexo do efeito de um maior conhecimento do objecto em causa e de um inerente apuro da linguagem na qual esse conhecimento se estrutura.

 De forma a fazer passar a nossa mensagem, adequando-a aos necessários suportes físicos actuais, conseguimos romper com os naturais preconceitos e dogmatismos que, como em qualquer outra área do saber, se vão desenvolvendo na área da produção áudio.

 Em 2010 os Haven Denied começaram a gravar o terceiro álbum, Illusions - Between Truth and Lie. Este é o trabalho que vos enviamos. O álbum foi Gravado e Produzido nos Symbiosys Recording Studios, com todo o trabalho de estúdio realizado Ricardo Caldas, baterista dos Haven Denied. O álbum cai num estilo mais Heavy-Rock Progressivo, com linhas de guitarra e bateria de estilo Metal (Lamb of God), vozes limpas e harmonizadas (System of a Down) sob estruturas musicais muito interessantes.
A SIMBOLOGIA
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 O símbolo dos Haven Denied pretende dar a ideia de refúgio negado traçando um paralelo com a época dos descobrimentos. Foi uma época que representou para uns a procura de um refúgio e para outros a perda do mesmo. Na realidade o nosso refúgio em vida é nos sempre negado pela morte. Nada é nosso e tudo é de todos nós. Sem a vida em comunidade ou sociedade a posse deixa de fazer sentido, pois não existe nada que fundamente a aceitação comum. Se temos algo que os outros o têm como nosso é porque vivemos numa sociedade, como a pequena comunidade de marinheiros que, de um barco procurava o seu refúgio eternamente negado. Esse barco em símbolo tem esse duplo simbolismo. Por um lado, o “H” de Haven (refúgio) forma as linhas mestras de um barco e o “D” de Denied (negado) forma as linhas das velas. É como se a negação de um refúgio (morte) fosse a força motriz que nos faz procurar a transcendência, como o vento empurra o barco, e como se esse barco fosse um pequeno refúgio socialmente e comunitariamente construído para que, em grupo, possamos ousar descobrir.



CONTEXTO ESTÉTICO E SIMBÓLICO DO ÚLTIMO ÁLBUM:

  O contexto sónico do nosso terceiro álbum, em termos simbólicos, recai sobre melodias que nos transportam para as sonoridades típicas do médio-oriente, tendo como pano de fundo de um imaginário visual a antiga Constantinopla, capital do império Bizantino, actual Istambul. Envolto em textos e narrativas de apelo revolucionário e crítica social e ética, o álbum Illusions transporta-nos para um contexto espaço-temporal de mediação, de sufrágio para com aquilo a que nós, enquanto humanidade, nos propomos a fazer connosco mesmos e com o mundo, no fundo a revolução interior onde todos damos a mão, sem discriminação étnica ou racial. Daí aparecer Istambul, antiga Constantinopla, como a ponte entre o Ocidente e o Oriente, a ponto de partida da grande rota da seda e a cidade mais multicultural do mundo antigo e das mais ecléticas actualmente. O ponto geográfico onde inúmeras culturas trocaram bens e ideias, independentemente de sua cultura, etnia ou raça.
O tema “Our Lives Are Gone”, single deste referido álbum, recai sobre a incapacidade para lutar contra o supérfluo e sobre a necessidade de virar costas às culturas materialistas das sociedades modernas capitalistas. O texto começa (parte ficcional) dizendo que a cobra está a frente dos nossos olhos e pergunta-nos se estamos prontos para prová-la, fazendo assim um pacto para o rapto da humanidade. Isto, em termos simbólicos, significa que estamos sempre a ser tentados pela “serpente” a fazer parte da elite corrupta, que nos faz vender a alma para seguir o caminho da mentira, individualismo e corrupção.